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Por José Reinaldo Carvalho (*) via www.resistencia.cc

A reunião do chamado Grupo de Lima – um arranjo artificial de países liderados por governos conservadores, reacionários ou de extrema direita, que mais se assemelha a um cartel – realizada nesta segunda-feira (25), em Bogotá, foi o segundo “Dia D” programado para derrocar o governo legítimo e constitucional de Nicolás Maduro.

Resultou em retumbante fracasso do imperialismo estadunidense. Mike Pence volta a Washington de mãos vazias e Trump viaja desapontado a Hanói para se encontrar com o sereno e sorridente líder norte-coreano Kim Jong Un, já habituado a aplicar-lhe nós táticos.

O primeiro “Dia D” foi o já histórico 23 de fevereiro, quando o povo venezuelano, sob a liderança de Maduro, do Partido Socialista Unido da Venezuela, do Grande Polo Patriótico – em que se reúnem importantes forças da esquerda venezuelana, entre estas o Partido Comunista e o Pátria para Todos e movimentos sociais e políticos – escreveu uma página épica.

Contra todos os prognósticos da mídia corporativa internacional, os venezuelanos chavistas dissiparam o dispositivo montado nas fronteiras brasileira e colombiana pela administração de Donald Trump e os governos satélites de Bolsonaro e Ivan Duque que pretendiam forçar a entrada no país de uma suposta ajuda humanitária. A operação foi desmascarada como um dos muitos pretextos para viabilizar uma intervenção militar e um golpe de Estado.

A reunião do dito cartel de Lima nesta segunda-feira, em Bogotá, foi também uma derrota para o governo Trump, um descalabro diplomático, mesmo num palco em que todos os atores eram membros da mesma trupe.

Os governos reunidos em torno do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, não se sentiram em condições de respaldar a intervenção militar. Até mesmo o fantoche Juan Guaidó, traidor da pátria, que antes do início da reunião vociferou pedindo que a agressão armada não fosse descartada, acabou admitindo o recuo, ainda que temporário. O próprio Pence elevou o tom da retórica ameaçadora, mas não se sentiu em condições de propor algo mais que mudasse de imediato qualitativamente a situação.

Neste mesmo campo diplomático, os Estados Unidos já tinham fracassado em janeiro último, em seu intento de fazer com que a OEA, terreno que lhe é habitualmente favorável, reconhecesse a legitimidade de Guaidó como “presidente encarregado” e impusesse a convocação de novas eleições presidenciais, anulando os efeitos da vitória de Maduro e de sua posse constitucional. Também no mês de janeiro, os Estados Unidos promoveram uma reunião extraordinária, emergencial e aberta do Conselho de Segurança da ONU e assistiram não só à negativa do pedido de reconhecimento de Guaidó, como engoliram a seco a transformação da mesma reunião numa espécie de ato político e diplomático em que a maioria dos oradores solidarizaram-se com a Venezuela e seu governo.

A derrota temporária, entre o último sábado e esta segunda-feira, das pretensões intervencionistas, golpistas e belicistas dos Estados Unidos contra a Venezuela não encerra a crise nem conjura o perigo de guerra. A reunião foi marcada por uma retórica agressiva e profundamente reacionária, antivenezuelana e antidemocrática, mesmo quando – como foi o caso do vice-presidente brasileiro, o general Hamilton Mourão – houve o descarte da intervenção militar.

As palavras de ordem adotadas na reunião do cartel de Lima reunido em Bogotá incorporam ameaças, apelos à divisão das Forças Armadas Bolivarianas, aumento das sanções, pressão diplomática e acusações levianas.

Mas Nicolás Maduro sai vencedor das refregas que antecedem o Carnaval, ao qual fez alusões bem-humoradas durante seu épico discurso do sábado à tarde. Efetivamente, ganha tempo. Mostrou aos inimigos que tem margem diplomática, com alianças estratégicas, respaldo de amplas massas populares, união cívico-militar. Fez uma aposta na Resistência e na garantia da estabilidade e da paz.

Com política acertada, mobilização popular e preparação militar, mostrou que estava capacitado para defender a pátria em caso de agressão. Merece ganhar a paz.

Os acontecimentos na Venezuela mostram também que os tempos são outros. O imperialismo estadunidense não tem as mãos totalmente livres. Há no mundo de hoje importantes fatores de contenção. A luta anti-imperialista é o primeiro deles, mas há, sim, outros mais.
(*) Jornalista, editor de Resistência e integrante do projeto Jornalistas pela Democracia

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